
Na época bíblica a festa de Shavuot tinha como propósito levar o povo de Israel a um nível coletivo de adoração a Deus. O que era celebrado nessa festa? A provisão de Deus ao seu povo através da colheita dos grãos (em especial o trigo) /
As festas de Deus para Israel são sete e estão divididas em dois grupos:
Festas da primavera:
Pessach – Páscoa;
Matzot – Pães Ázimos;
Habicurim – Primícias
Shavuot – Pentecostes.
Festas do outono:
Rosh Hashaná – A Festa das Trombetas;
Yom Kipur – Dia do Perdão;
Sucot – Tabernáculos.
Os nomes.
Veremos a última festa da primavera (hemisfério norte): Shavuot (hebraico), que quer dizer Semanas (Lv.23:15), pois ela acontece sete semanas e um dia após a Páscoa –“Depois contareis para vós … sete semanas inteiras … contareis cinquenta dias” (Lv.23:15-16) – com a contagem (Sefirá) do Ômer. O Ômer era a medida usada pelos israelitas para mensurarem o maná colhido no Deserto a cada dia, com porção dobrada na sexta-feira, com a capacidade de 2,9 litros (Êx.16:16).
Também é conhecida como Festa da Colheita, por nesse período ocorrer a colheita de grãos, trigo e cevada (Êx.23.16). Shavuot marca o encerramento da colheita do trigo (Êx. 34:22; Nm.28:26; Dt.16:10).
Contudo, o nome mais popular é: Pentecostes (em grego antigo πεντηκοστή – pentekostē, ἡμέρα – hēmera, “o quinquagésimo [dia]”). O Pentecostes é uma das celebrações mais importante da cristandade, e comemora a descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus Cristo.
Propósitos da festa
Na época bíblica a festa de Shavuot tinha como propósito levar o povo de Israel a um nível coletivo de adoração a Deus. Possibilitar a manifestação voluntária de gratidão pela abundancia da colheita, pela multiplicação do rebanho, enfim, pelo cuidado providencial de um Deus provedor e amoroso. As festas também eram uma grande oportunidade de aprender sua própria história e herança como povo.
Os milagres operados por um Deus que cuida, que se relaciona com os seus através de suas bênçãos e que recebe de volta a alegria expressa em louvor e adoração ao seu santo nome.
O que era celebrado nessa festa? A provisão de Deus ao seu povo através da colheita dos grãos (em especial o trigo).
Festa era celebrada com dois pães com fermento – “Das vossas habitações trareis dois pães de movimento; de duas dízimas de farinha serão, levedados se cozerão; primícias são ao SENHOR” – e sacrifícios de animais (Lv.23:17-20). Os sacrifícios, com os alimentos, representavam a gratidão do povo a Deus. Além disso, os agricultores, vindos de toda a parte do país, traziam seus dízimos em espécie (dinheiro) ou em frutos da colheita para abastecer a casa (Templo) de Deus com comida para o ano todo.
Como está escrito em Malaquias 3:10: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes”.
Também nesta festa é comemorado o recebimento da Torá, a Lei de Deus dada a Moisés no Monte Sinai em Êxodo 19:1: “Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao deserto de Sinai”. Na figura das duas tábuas da Lei com os Dez Mandamentos Êxodo 24:12: “Então disse o SENHOR a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá; e dar-te-ei as tábuas de pedra e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar”.
A entrega da Torá no Sinai está associada a Shavuot por uma questão de data, uma vez que os israelitas chegaram ao Sinai na primeira semana do terceiro mês (Nisã, Iyar, Sivan). O que segundo a tradição colocaria a Revelação no Sinai no dia seis de Sivan, o primeiro dia de Shavuot.
Esta Festa é um feriado nacional para Israel até os dias de hoje: “E naquele mesmo dia apregoareis que tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis” (Lv.23:21a).
Esta Festa revelava uma preocupação social com os pobres e estrangeiros da terra: “E, quando fizerdes a colheita da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o SENHOR vosso Deus” (Lv.23:22
Esse exemplo está bem ilustrado no livro de Rute, que narra o cuidado com os pobres de Belém, incluindo a família de Noemi, juntamente com sua nora – a moabita viúva Rute (Rt.2:1-7). Cabe destacar que foi na celebração de Shavuot que Rute aceitou o pedido de casamento de Boaz, seu remidor (Rute 3,4).
Shavuot hoje
Em Shavuot, enfeitam-se as casas e as casas de oração com frutas, flores, folhas e plantas, para recordar a época da colheita e a oferenda dos primeiros frutos. Durante as orações, lê-se na Torá o trecho referente à entrega dos Dez Mandamentos (Êx.20:1-17). Uma forma de honrar a entrega da Torá é passar a primeira noite de Shavuot estudando-a, seja em casa ou na sinagoga.
Pratos Típicos
Queijo Tzfat, leite e grãos de trigo. (Foto: Envato)
Como costume, come-se em Shavuot laticínios e mel: “Oh! Quão doces são tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca” (Sl.119:103). Que as palavras da Torá sejam tão prazerosas e aceitáveis aos ouvidos e ao coração quanto o leite e o mel são para o paladar. Os pratos doces são: bolo de queijo, bolo supremo de queijo, entre outros. Já os pratos salgados são: lasanha desarrumada, pastelão de batatas, patê de queijo e cenoura, creme de aspargos, empadas de queijo, entre outros.
O significado profético de Shavuot
A formação da Kehilá)( Projeto Mover de Deus é uma Kehilá) (Igreja, Comunidade) do Mashiach – Messias. Jesus disse em Mateus 16:18: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Pois ela tipifica o início da formação de um corpo, como descrito em 1 Coríntios 12:12-31, que seria composto por judeus e gentios, como relatado em Atos 2.
A profecia, ou seja, a mensagem revelada por Deus na Bíblia Sagrada como uma alusão ao futuro, já estava em Levítico 23:17 na forma dos dois pães levedados. Dois pães com fermento (levedo), dois pães – representam dois povos, judeus e gentios, e o fermento na Bíblia pode significar pecado, como em 1 Coríntios 5:8: “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”, pois o fermento azeda a massa corrompendo seu estado original.
Desses dois povos o Messias faria um e os aceitaria como sua Igreja, conforme Efésios capítulo 2: “… lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão … Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo … Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef.2:11-16).
Foi isso o que aconteceu em Pentecostes, a união de dois povos. A Igreja é a união de judeus e gentios que creem em Jesus, que formam representativa e espiritualmente o corpo vivo de Cristo na terra.
Quando isso aconteceu?
Na Festa de Shavuot – Pentecostes, no ano 33 d.C. Evento registrado no livro dos Atos dos Apóstolos, especialmente no capítulo 2. Jesus disse para os apóstolos ficarem em Jerusalém, “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar” (At.2:1) – aguardando o Espírito Santo – “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At.2:4).
Na Festa de Pentecostes estavam reunidos judeus de toda a parte do mundo, “E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu” (At.2:5) e prosélitos, gentios que criam no Deus de Abraão, Isaque e Jacó,“… forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (At.2:10b-11).
Naquele dia um grande sinal do céu estava sendo dado. Que sinal era esse? O nascimento da Igreja de Cristo (At.2:12), cumprindo assim a promessa do Senhor Jesus (Mt.16:18). A conclusão daquela manifestação do Espírito Santo de Deus foram almas salvas e incorporadas à Igreja de Jesus Cristo (At.2:37-41).
Hoje celebramos o nascimento da Igreja do Senhor Jesus Cristo, uma instituição divina com a missão de glorificar a Deus, conquistando almas entre as nações para Cristo, edificando-as em Cristo, e enviando-as por Cristo: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória pois, a ele eternamente. Amém” (Rm.11:36).

Aditivos
SHAVUOT (SEMANAS) – Festas das Semanas
Festa do Recebimento da Torá da sua propagação através do Ruach HaKodesh (Espírito do Santo)
Shavuot (festa das semanas – CHAG HA SHAVUOT), conhecida também como a festa da Colheita (CHAG HA CATSIR) ou festa das primícias (CHAG HA BICURIM). Cada um destes nomes é um reflexo da natureza agrícola da festa, que é celebrada no fim da primavera, quando a nova colheita de trigo era colhida.
Êxodo (Shemot) 23:16 – “A festa da ceifa, primícias de teu feito, do que semeares no campo. ”
Êxodo (Shemot) 34:22 – “Farás para ti a festa das Semanas, primícias da ceifa dos trigos. ”
Números (Bamidbar) 28:26 – “Dias das primícias (Iom Habicurim) e festa das Semanas. ”
São ofertas de gratidão, dando sentido ao festival.
Deuteronômio (Devarim) 16:9-12 – “Contarás para ti sete semanas. Quando a foice começar na seara, começarás a contar sete semanas. Faze a festa das Semanas para Adonai, teu Elohîms, imposto de gratificações de tua mão, que darás quando Adonai, teu Elohîms, te abençoar. Regozija-te em faces de Adonai, teus Elohîms, tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, o Levi em tuas portas, o meteco, o órfão, a viúva em teu seio, no lugar que Adonai, teu Elohîms, escolher para nele fazer residir seu nome. Memoriza que eras servo no Egito. Guarda e faz essas leis. ”.
Os Rabis ensinam que o contexto espiritual da festividade se eleva quando identificamos que a libertação do Egito é apenas um prelúdio (exercício preliminar; primeiro passo para um certo desfecho), para verdadeira liberação da mente e do espírito, através da Aliança do Sinai. De acordo com Êxodo (Shemot) 19:1, três meses depois da saída do Egito, Moisés subiu o monte Sinai para receber a Torá: é o Pentecostes.
Pentecostes (palavra grega que significa quinquagésimo) trata-se dos cinquenta dias (sete semanas e um dia) que separam Pessach (Páscoa) de Shavuot (Pentecostes), sendo Pessach celebrada no 15º dia do primeiro mês (Nissan) e Shavuot situa-se no terceiro mês, o que permitiu identifica-lo como o dia da Aliança do Sinai.
Êxodo 19:1-5 (Teofania do Sinai), marca a consagração de uma nação (Israel) com a apresentação da Aliança da Torah, também conhecido como “ZEMAN MATAN TORATENU – O tempo em que nos foi dada a nossa Torah”.
Salmo 119:30-41 – O salmista revela que tem prazer ser conduzido pela Torah.
A promessa unificadora de Yeshua também é para sermos conduzidos pelo Espírito da Verdade.
João 16:13 “Mas quando ele vier, o sopro da verdade, ele vos fará caminhar na verdade plena. Ele não falará por si mesmo; mas tudo o que tiver ouvido, ele dirá; e o que está por vir, ele vos anunciará. (O verbo utilizado como caminhar – estrada/caminho é o mesmo empregado em AP.7:17, onde se diz que o cordeiro faz caminhar para as águas vivas aqueles que são consagrados a Adonai, isto é, aqueles que são inseridos na consagração do Sinai)
A teofania no Livro de Atos (capítulo 2) revela a posição unificadora entre judeus e as outras nações
Em Shavuot lê-se o livro de Rute, uma mulher moabita que se une ao povo de Elohims, transmitindo o aspecto futuro da obra o do Mashiach (seu descendente), a lealdade a Torah e deixando-se ser conduzida por Ela..
A história de Ruth, de Moab, é uma das mais bonitas de toda a literatura bíblica. Descreve a amizade, o amor e a dedicação de duas mulheres — Ruth e Noemi. Exalta a lealdade — lealdade à própria família. Essa lealdade planta nos seres humanos a semente da confiança e da fé que uns têm nos outros. E da semente da lealdade nos seres humanos uns para com os outros, cresce a sólida lealdade do homem para com o Eterno. Enquanto viverem, os homens vibrarão com as palavras de Ruth, a viúva do filho de Noemi:
Rute 1:16 “Não me instes para que te deixe, e volte e não te siga: Porque, aonde quer que fores, irei eu; onde quer que pousares, pousarei eu; o teu povo será o meu povo, e o teu Elohîm, o meu Elohîm…”
Nossos sábios concordam que Shavuot é uma festividade que encerra Pessach (intervenção do Eterno para livrar o seu povo do perigo declarado, um valor expiatório), e até se refere a ela pelo nome de ATSÉRET, que significa conclusão.
Nós podemos considerar que a peregrinação para Shavuot iniciou com a contagem do ÔMER nos conduzindo ao ponto alto (objetivo) o altar do Santuário, para ofertar os primeiros frutos.
Shavuot, dia em que recebemos os Dez Mandamentos, é celebrado por ser o dia em que o Eterno entregou Sua Torá ao Povo Judeu. Este dia continua a ser o mais importante na história de nosso povo, quiçá o mais importante na história da Humanidade.

Pastor Ricardo Sorrentino
Embaixador Eclesiástico pela ONU
Diretor Regional da UMJC (Union of Messianic Jewish Congregations
Conselheiro da Convenção Judaica Messiânica no Brasil
Cremos que Adonai não mudou, ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é o Criador de Todas e Dele, por ele e para Ele são todas as coisas.
Cremos que Jesus é o Messias, o filho de Deus, que veio ao mundo, morreu e o Pai o ressuscitou, estando hoje assentado a destra do Todo Poderoso.
Cremos que o Espírito do Senhor foi nos dado como conselheiro consolador, um agente transformador para o homem de dentro pra fora, ativando dons e frutos do espírito para reconectar o homem ao seu Criador.
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