YOM KIPUR

Ou seja, este período em que Moisés ficou rezando é chamado de Yom Kipur. A natureza da cerimônia é descrita por Rambam (rabino que viveu no século XII) como o “dia do arrependimento” e o “tempo do perdão para Israel”. Por isso, todos são obrigados a se arrepender e a confessar os erros em Yom Kipur.

A cerimônia tem início um pouco antes do pôr do sol, no dia 9 de Tishrei, ou no sétimo mês do ano religioso judaico. Ela segue, então, até o cair da noite em 10 de Tishrei.

Assim, durante quase 26 horas, os fiéis deixam de comer, beber, usar calçados de couro, lavar o corpo, passar cremes ou desodorantes, usar eletrodomésticos e manter relações sexuais. Dessa maneira, todo o tempo é voltado para o pensamento em D’us.

Para os judeus, o Yom Kipur garante uma expiação maior perante a Deus do que o arrependimento, também chamado de Teshuvá. Aliás, segundo o judaísmo, “neste dia, os judeus e Deus são apenas um. O judeu une-se com Deus para revelar um vínculo intocável pelo pecado, sem obstáculos.”

Teshuvá, no hebraico quer dizer “retorno”. Em suma, é arrepender-se dos pecados profundamente e sinceramente. Entretanto, essa prática não deve ser feita somente no Yom Kipur. Na verdade, o bom judeu, segundo a própria religião, deve refletir sobre seus atos diariamente.

Não basta você participar do Yom Kipur para ter o perdão dos pecados. Primeiramente, é preciso que tenha o arrependimento e, segundo os rabinos, só assim você consegue obter a expiação e sua alma ser purificada.

Contudo, este estado de graça só é alcançado se a pessoa sentir arrependimento de tudo que causou, assim como os prazeres que também teve com aquele pecado. Não é no Yom Kipur que o pecado é visualizado, e sim no processo de Teshuvá diário que a pessoa consegue visualizar o pecado.

Quando pecam, há um distanciamento no vínculo dos judeus com o criador. Eles são:

O cumprimento das Mitsvá (qualquer ato de boa ação) faz com que o judeu estabeleça um vínculo entre ele próprio e D’us.

O segundo nível advém de uma conexão mais profunda com o criador. Esta conexão, portanto, permanece mesmo que o fiel descumpra com as Mitzvá pecando. Assim, prejudicando apenas o primeiro vínculo, que pode se reestruturar através da Teshuvá.

O terceiro nível une a essência do judeu com a essência do criador. Este vínculo não pode ser produzido pelo homem, mesmo com a Teshuvá. Isso porque se trata de um vínculo inerente à alma judaica, que é “uma parte do D’us acima”, segundo o Torá. Neste nível, D’us e o fiel são, na totalidade, um só. O terceiro nível, aliás, transcende todos os limites e não pode ser afetado por nenhuma ação do homem. Pecados e desonras não podem interferir neste nível, que só é atingido no Yom Kipur.

Portanto, todos os judeus são convidados a participarem do Yom Kipur e conseguirem estabelecer esse vínculo com D’us. Há aqueles que realizam essa expiação em outras épocas, no entanto, digamos não ter a “efetividade” do Yom Kipur, que consegue limpar todas as manchas dos judeus.

Aliás, o povo de Israel, na antiguidade, tinha um líder religioso que representava, por sinal, todo o judaísmo. A ele, era atribuído o nome de Cohen Gadol. No Torá, está descrito sobre o serviço de Yom Kipur do Cohen Gradol: “Nenhum homem deve estar no Ohel Moed quando ele entra para fazer expiação”.

Ohel Moed, por sua vez, significa tenda de encontro e o momento que o eterno visita o homem. A descrição no Torá quer dizer que ninguém, nem mesmo os anjos, podem entrar no Ohel Moed no Yom Kipur. Lá está apenas o judeu e D’us.

 

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